segunda-feira, 15 de junho de 2009

A CULPA É DE QUEM?

Tentamos fazer um bom trabalho de verificação das inspeções de risco e seguimos as recomendações que saem destas inspeções.

Tentamos fazer um trabalho completo de investigação das causas de todos os acidentes. Não fazemos isto para colocar alguém na berlinda ou para culpar alguém.

Fazemos isto apenas por um motivo: evitar acidentes. Talvez alguns de vocês estejam pensando: “Nenhuma investigação impediu o acidente que está sendo investigado.”

Se é isto que estão pensando, vocês estão completamente certos.

Porém, boas investigações podem, e muito, ajudar na prevenção do próximo acidente. Todos os acidentes são provocados – eles não acontecem por acaso. Se descobrirmos a causa do acidente, podemos fazer alguma coisa para eliminála e impedir que outro acidente como aquele aconteça.

Mas se apenas dermos de ombros, se apenas dissermos: “Foi uma coisa desagradável, o que podemos fazer? Estas coisas acontecem...”, então podemos estar certos de que outros acidentes
como aquele acontecerão.

A maioria dos acidentes apresenta mais de uma causa.

Por exemplo: um homem perde o equilíbrio e cai de uma escada.

Se escrevermos no relatório: “O operário não teve cuidado”, ou “A proteção da máquina não estava no lugar”, estamos parando uma investigação sem termos esgotado todas as possibilidades.

Peguemos o caso mais simples: o homem que perdeu o equilíbrio e caiu da escada. Antes de tudo, queremos saber o que fez com que ele perdesse o equilíbrio.

  1. A escada estava com defeito?
  2. E se estava, por que ela estava sendo usada?
  3. O homem sabia que a escada não era boa e relatou isto?
  4. Se não sabia, ele foi instruído corretamente como e o que inspecionar numa escada, ou a escada estava em boas condições mas foi usada de maneira inadequada?
  5. Ela foi colocada num corredor, onde um passante poderia esbarrar?
  6. Se foi, por que não tinha uma pessoa ao pé da escada para manter as outras pessoas afastadas?
  7. Ela deveria ter sido presa no topo?
  8. Ela tinha o tamanho correto para o local?
  9. Ela foi posicionada com o ângulo certo em relação à parede, ou foi o próprio homem que fez algo inseguro?
  10. Ele estava subindo com alguma coisa pesada que poderia ter sido içada por uma corda?
  11. Se estava, foi dito a ele para usar uma corda?
  12. Ele tentou descer a escada virado de costas para ela?
  13. Ele tentou pegar algo que foi jogado para Ninguém deseja culpar ninguém ele e perdeu o equilíbrio?
  14. Ele soltou as duas mãos da escada simultaneamente para fazer algum trabalho?

Estas são, acreditem ou não, apenas algumas perguntas que podem ser feitas sobre um acidente muito simples. Se tudo que soubermos foi que o homem caiu, realmente não sabemos nada.

Mas, se investigarmos fundo em busca da causa ou causas fundamentais, então será provável que descobriremos algo para evitar outros acidentes.

Se se ficar satisfeito com um relatório de acidente que diz apenas: “O trabalhador foi descuidado”, o problema foi resolvido rápido.

Mas a segurança quer saber:

  1. “Sem cuidado de que maneira?”
  2. “Esta foi a primeira vez em que houve falta de cuidado deste tipo?”.
  3. Caso contrário, “O que foi feito para corrigir esta situação?”

Acima de tudo, a segurança quer saber se foi totalmente uma questão de falta de cuidado, ou se existiam outras condições que ajudaram a provocar o acidente.

A investigação de acidente real, sólida, consistente e profunda e que atinja todas as circunstâncias que envolvem o acidente, é um dos melhores instrumentos que precisamos dominar para trabalhar com segurança.

Todo mundo sai lucrando com as investigações feitas em outras áreas da empresa.

A mesma coisa acontece com as inspeções e acompanhamentos.

As inspeções e os acompanhamentos das recomendações de inspeção são preparadas para identificar e eliminar condições muito perigosas, todos os maus hábitos de trabalho, todas as
peças defeituosas do equipamento, antes que alguém se machuque.

Lembre-se, não estamos atrás da cabeça de ninguém.

Não estamos querendo colocar alguém na berlinda.

Apenas queremos impedir acidentes antes que algum de nós se machuque.

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